sexta-feira, 3 de setembro de 2010

bipolaridade van gogh


Transtorno afetivo bipolar


Valentim Gentil Filho é médico e professor de Psiquiatria na Universidade de São Paulo.


Drauzio – Edgar Allan Poe, Van Gogh, Schuman, Churchill, grandes homens da história e das artes, tinham transtorno bipolar. Qual a relação entre a criatividade e essa doença?


Valentim Gentil Filho - Interessante que essa relação entre transtorno bipolar de humor –euforia e melancolia – e criatividade já era abordada por Aristóteles que indagava (pelo menos, a pergunta é atribuída a ele) por que tantos homens ilustres da filosofia, da matemática e das artes apresentavam essa característica. De acordo com alguns depoimentos, estados depressivos favorecem a percepção de um universo que em estado normal seria impossível apreender e a euforia estimula a criatividade. No entanto, pesquisas realizadas nos últimos 20 anos, sugerem que essa hipótese não é verdadeira. Elas apontam que, na maioria dos casos, a criatividade é uma característica genética encontrada também nos parentes próximos que não são doentes .
Quem estudou esse tema de forma bastante original foi Kay Jamison, uma psicóloga portadora de transtorno bipolar e uma das personalidades mais conhecidas na área.

Em seu livro autobiográfico “Uma mente inquieta”, publicado há alguns anos e traduzido para o português, a autora relata que só se acertou na vida quando se deu conta do que tinha e pôde tomar medidas preventivas e de precaução, como tomar lítio, que evitassem as crises.
Em outro livro, “Touched with Fire”, ainda não traduzido para o português, ela analisa a biografia de grandes líderes políticos, religiosos, militares, intelectuais e artistas e registra o que falavam e sentiam nos momentos de depressão e de euforia. Um escritor inglês, por exemplo, julgava a depressão não uma inspiração dos deuses, mas uma poeira que recobria o cérebro.
Van Gogh, que se matou aos 37 anos com um tiro no peito, atravessava um período de extrema melancolia quando pintou seu último quadro – corvos num campo de trigo. No verão daquele mesmo ano, atravessando uma fase de grande euforia, o tema de um quadro psicodélico é uma fantástica noite estrelada.
Diante das possibilidades de tratamento que existem hoje, teria sido oferecido a Van Gogh, no mínimo, o direito de optar se desejava continuar pintando obras-primas nos estados de euforia e depressão ou se preferia tomar lítio, acalmar as crises e não correr o risco de morrer precocemente.

Drauzio – Que opções você me ofereceria se, na situação de Van Gogh, eu preferisse continuar pintando quadros magníficos apesar dos inconvenientes das crises a ser tratado e perder a inspiração?

Valentim Gentil Filho – Eu lhe ofereceria minha amizade e compaixão. Foi o que fez o dr. Gachet, grande pintor e médico de Van Gogh, que só contava com Digitallis para cuidar do amigo. Dizem até que Van Gogh usou tanto o amarelo em suas obras porque tomou esse remédio em demasia.
Vale considerar que o dr. Gachet não tinha outra opção de tratamento naquela época e o resultado foi a perda de um grande gênio. Hoje, no entanto, ele poderia propor várias alternativas de tratamento. Será que Van Gogh escolheria continuar pintando no estado psicótico que o levou a cortar uma orelha e a dar um tiro no peito, ou preferiria pintar em estado normal, controlando formas e pincel do jeito maravilhoso que sabia fazer? Para tanto, bastava que concordasse em tomar lítio. Talvez nas primeiras semanas, até acertar a dosagem adequada para seu organismo, seu desempenho em alguma área caísse um pouco, mas o risco de suicídio ficaria sete vezes menor com o tratamento.


Eu tenho transtorno bipolar, faço tratamento desde quando descobri, ha aproximadamente 9 anos.
é muito difícil ter esse tipo de transtorno, por que tem dias que voce deseja que não acabe mais, que fica embriagado de tanta felicidade, mas os dias escuros... são verdadeiros vampiros a nos sugar a felicidade, como se nos tirassem o chão, como verdadeiros buracos intermináveis, escuros, onde só se tem a sensação de que não haverá mais nada, alem da dor, da infelicidade e escuridão.

A ajuda psiquiátrica é indispensável, o apoio da familia, de amigos... e principalmente de um animal de estimação, (no meu caso, foram os cachorros)....
a necessidade de nos sentirmos amados é gigantesca, e ainda assim a dor e a tristeza ainda são muito maiores.
hoje vemos a bipolaridade como uma doença mental, pois por mais que tentemos, sem ajuda, perdemos totalmente o controle de nossos sentimentos e atos.
E muito importante o acompanhamento de um psiquiatra.
existe a nítida questão da prioridade de medicamentos.
 
a bipolaridade traz com ela várias outras deficiencias mentais, como a depressão, a síndrome do pânico, a inaptidão ao convívio social, fobias e manias; portanto deve ser tratada por um especialista, por um psiquiatra, e acompanhada por psicólogos, psicoterapeutas, terapeutas...

*essa é a minha opinião pessoal, como portadora desse distúrbio.

e aqui fica um pouco de mim....
Gosto dos extremos.Não gosto de meio termo Gosto do
frio Gosto do quente.Não gosto do morno. nem de temperatura-ambiente.
Na verdade eu quero tudo.Ou quero nada. Não sei sentir em doses homeopáticas
Sempre fui daquelas que se apaixonam, mas também, quando vou embora, não olho
para trás. Sempre dei a cara à tapa. Quero que se alguém estiver comigo que
esteja Mesmo que seja só naquele momento. mas que seja infinito

 



Um comentário:

  1. Eu acho que deveriam ter trtado de van gogh poi o remedio nao atrapalharia o seu talento e criatividade,

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